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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Platão - Parmênides (127 A – 137 D)

(Resumo)

O diálogo Parmênides de Platão apresenta uma crítica à teoria das Formas, tal como apresentada pelo personagem Sócrates, mas além da crítica apresenta a necessidade de se colocar as Idéias, sem as quais não existe dialética e nem filosofia. Eis as questões principais levantadas no texto proposto para leitura: 1ª) qual a extensão do mundo das Formas; 2ª) como é dada a participação entre as Formas e os sensíveis; 3ª) as Formas poderiam ser conceitos; 4ª) a transcendência e a possibilidade do conhecimento.
Os principais comentadores da obra divergem quanto ao objetivo de Platão ao escrevê-la, alguns defendem que a obra é apenas um exercício lógico e outros que defendem seu caráter ontológico. Considerando os outros textos sugeridos à nossa leitura e também os temas abordados na sala de aula, penso que é relevante citar, de um lado a tendência de atualização do Múltiplo e do Devir (Heráclito) e por outro lado a atualização em tanto exagerado do Uno (Parmênides). Assim me parece que o tema central do diálogo é a Teoria das Formas colocada de maneira destacada no âmbito das reflexões metafísicas e gnosiológicas do pensamento de Platão. A Partir daí merecem relevância o conceito de participação, a relação entre o Uno e o Múltiplo, a relação entre semelhança e dessemelhança e a caracterização da imutabilidade e da eternidade como aspectos intrínsecos das Formas.
Nessa perspectiva a obra pode ser dividida em duas partes, na primeira Platão descreve através da narrativa de Céfalo uma conversa com Gláucon e Adimanto e depois, com Antifonte, sendo este responsável pela descrição em forma de recordação do teor do diálogo. Os personagens da conversa são estes: Sócrates (ainda jovem), Parmênides (já ancião) e o maduro Zenão. Nessa parte adquire relevância a importância da reminiscência, uma vez que Platão deixa claro, desde o início do diálogo, a importância da recordação e da memória no processo de conhecimento, depois, o modo pelo qual um assunto deve ser discutido na forma de diálogo, notamos aqui uma espécie de dialética platônica e por fim, o filósofo discorre sobre o objeto do diálogo, diversos aspectos da sabedoria e os respectivos problemas ontológicos.
Na segunda parte do diálogo é discutida a teoria das Idéias em dois momentos diversos, primeiro no embate entre o jovem Sócrates e Zenão e posteriormente no debate entre Sócrates e Parmênides, no qual se discute todas as hipóteses levantadas por Platão e as devidas consequências da aceitação ou não de cada uma delas.
Sócrates tenta refutar Zenão, que afirmava a Multiplicidade e depois da exposição de Sócrates, Parmênides o interpela demonstrando que se aceitamos as formas de acordo com sua apresentação seríamos obrigados a aceitar a existências de Formas correspondentes as coisas sensíveis e inferiores, ou seja, a quais nomes (sejam eles conceitos, valores morais ou objetos sensíveis) podemos confiar à existência de formas correlatas.
Quando Sócrates se vê em tal dilema, Parmênides o corrige argumentando sobre sua juventude dizendo que a filosofia ainda não o tomou por completo e ele ainda está influenciado em demasia pela opinião dos homens, e aqui podemos fazer uma estreita relação com a teoria dos caminhos à verdade exposta acima no resumo sobre o Poema Sobre a Natureza.
A primeira crítica dirigida pelo já ancião filósofo diz respeito ao modo pelo qual as coisas sensíveis participam das formas e para solucionar tal questionamento apresenta 2 hipóteses; 1ª) As Formas estão totalmente dentro das coisas sensíveis que dela participa; 2ª) as coisas sensíveis possuem apenas uma parte da Forma da qual tem participação. A primeira hipótese cai na aporia absurda de ter que se admitir que a Forma, sendo Universal, estaria Una dentro de coisas múltiplas e a segunda traz consequências ainda mais drásticas, afirmar que uma pequena parte da Forma de Grandeza torna as coisas grandes.
A segunda crítica de Parmênides referente à participação das coisas sensíveis nas Formas é o argumento tradicionalmente conhecido pela famosa designação aristotélica, o argumento do terceiro homem, ainda que Platão não o nomeie dessa forma. Tal argumento apresenta a seguinte lógica: I da observação dos diversos sensíveis retiramos determinada característica comum; II de tal característica única concluímos a Forma desta; III porém, se observarmos tanto a Forma como as coisas sensíveis, veremos que todas possuem o mesmo caráter único, forçando a admitir uma segunda Forma; IV se aplicarmos novamente III, englobando a segunda Forma, teremos uma terceira Forma e assim ao infinito.
Tal possibilidade é refutada por Parmênides através da postulação das Formas como necessárias, quando afirma que o pensamento tem sempre que ser um pensamento de algo, este algo tem que existir objetivamente, pois caso contrário teríamos que pensar sobre o nada e nada não existe, e aqui vemos mais uma alusão ao Poema. Após tal postulação da necessidade do pensamento ser vinculado a algo objetivo, lhe restou demonstrar que este algo são as Formas, posto que esse algo é uno e universal.
A Partir daí segue uma crítica à tese socrática da transcendência das formas a partir da demonstração de como é absurda a separação total entre o mondo das Formas e o mundo sensível. Pois acarreta a inexistência da relação de um mundo com o outro, a impossibilidade do homem conhecer as Formas e a impossibilidade dos deuses conhecerem os homens.


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